Nos últimos anos, o Brasil tem assistido a uma mudança silenciosa — mas profunda — no modo como a população encara o trabalho. De acordo com uma pesquisa divulgada neste mês pelo Datafolha, 59% dos brasileiros preferem trabalhar por conta própria a ter um emprego formal com carteira assinada. Entre os mais jovens, com idades entre 16 e 24 anos, esse número salta para impressionantes 68%.
A pergunta que paira no ar é inevitável: estamos diante de um movimento consciente rumo à liberdade financeira, ou de um risco camuflado em promessas de autonomia e renda rápida?
A busca por liberdade (e lucro)
A pandemia acelerou o empreendedorismo no país, e a digitalização abriu portas para novos modelos de negócio. Hoje, vender no Instagram, abrir um e-commerce, prestar consultoria online ou oferecer serviços por plataformas como Hotmart e Fiverr não exige mais do que um celular e uma boa estratégia.
Com salários estagnados, benefícios cada vez mais raros e o custo de vida em alta, muitos brasileiros têm visto no trabalho autônomo uma rota mais viável de sobrevivência — ou até de crescimento.
Mas e os riscos?
Deixar a CLT também significa abrir mão de estabilidade, férias remuneradas, 13º salário, plano de saúde e direitos previdenciários. Muitos empreendedores iniciantes acabam subestimando esses pontos. E, sem um planejamento financeiro sólido, o “ganho” que parecia promissor pode virar dor de cabeça em poucos meses.
Outro desafio é o emocional: empreender exige disciplina, resiliência e habilidade para lidar com instabilidade — algo que um salário fixo, por mais baixo que seja, costumava garantir.
Empreender virou o novo normal?
O que antes era exceção, agora parece ser o sonho de uma geração inteira. Mas será que estamos prontos para lidar com a realidade por trás da “liberdade” vendida nas redes sociais?
Não há resposta única. Empreender não é solução mágica, mas pode ser o caminho certo para quem se prepara de verdade. O importante é não romantizar o risco — e nem subestimar o valor da segurança.
No fim das contas, a decisão entre estabilidade e autonomia continua sendo pessoal. Mas uma coisa é certa: a forma como o Brasil trabalha está mudando — e rápido.

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